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Aproveite as contrariedades e surpreenda-se com os resultados

Quando a fragilidade que mora na contrariedade bater à porta, prefira respirar o mesmo ar, e pedir apoio de quem sabe ser contente, apesar do cenário

Por Glauce Ferracin, para Blog da Liga


Nas últimas duas semanas, ao ministrar mais de uma vez, para públicos repletos de pessoas privilegiadas, um WS do meu portifólio que objetiva conduzir em 7 passos o uso da felicidade como um hábito diário, percebi que para algumas pessoas e em alguns momentos, as dificuldades e os desafios da vida, os acontecimentos que geram emoções tristes ou negativas ou mesmo ainda a fragilidade observada no mundo e no ser humano em geral, são tidas como empecilhos para se ter felicidade.


Compartilho então com vocês neste momento o porquê essas honestas inquietações tornaram o rico script do WS que ensina reconhecer a felicidade diária, ainda mais recheado de valia e conteúdo.


Ouvi durante os eventos indagações mais ou menos assim: – “Como podemos ser felizes com “esses” últimos acontecimentos? Olha como está o mundo!” – “Como posso ter felicidade sem demagogia se há miséria no mundo ao meu redor?” – “Como posso ser feliz se quem eu amo está sofrendo?” – “Se felicidade é uma questão de ser, como acolho e acomodo a minha tristeza, a minha revolta?” – “Como ser feliz quando ainda falta o mínimo do mínimo?”

Entre outras e talvez a mais provocadora e que posso ousar dizer, comum a todos nós e que resume todas as demais:

– “Como sentir felicidade se as coisas não são do jeito que eu desejo?”


Evidente que planos, desejos e sonhos são fundamentais para que as conquistas e realizações aconteçam combinadas com nossos propósitos e legados almejados, entretanto é condição sine qua non que não temos o controle absoluto das nossas vidas pessoais e profissionais.


O ritmo do contexto das nossas vidas tem variáveis que incluem muito mais do que nossa vã hipótese de tudo saber. Estamos conectados em um mapa maior do que aquele que cada um tem. Somos produto de muitas condicionantes onde cada um tem como fundação conceitos particulares, heranças genéticas de semânticas únicas somadas as emoções sentidas pelas experiências de vida. Somos um em um todo.


Desejar que todas as coisas aconteçam de acordo com os nossos planos é um sonho de criança, como uma pedra bruta que vem sendo lapidada pelas contingências e experiências da vida.


A proposta então é desenhar o que se quer e acomodar o que vem.


Há uma metáfora que conta a história de um homem que ia feliz pela floresta quando, de repente, ouviu um urro terrível. Era um leão. Ele teve muito medo e começou a correr. O medo era muito, a floresta era fechada. Ele não viu por onde ia e caiu num precipício. No desespero agarrou-se a uma raiz de árvore, que saía da terra. Ali ficou, dependurado sobre o abismo. De repente olhou para a sua frente: na parede do precipício crescia um pezinho de morangos. Havia nele um moranguinho, gordo e vermelho, bem ao alcance da sua mão. Fascinado por aquele convite, para aquele momento, ele colheu carinhosamente o moranguinho, esquecido de tudo o mais. E o comeu. Estava delicioso! O homem sorriu então convencido de que na vida há morangos sim à beira do abismo…


A neurociência já nos comunicou que as sinapses da infelicidade e da felicidade são distintas. É possível encontrar contentamento e plenitude de realização nas contrariedades da vida. Viver para combater o ruim, o errado, o triste, o injusto não necessariamente fará acontecer o bom, o certo, o alegre e o justo.


Ao passo que se dedicarmos nossas mentes na busca diária daquilo que nos parece o shangri-la, o paraíso terrestre da existência humana, acomodando continuamente o contexto que nos é apresentado, aumentamos nossas chances de obter resultados positivamente surpreendentes.

Flashback positivo

Faça agora um mini flashback de sua vida ou da vida de pessoas que você acompanhou de perto e liste contrariedades vividas e que, sem poder dedicar tempo para alimentar pensamentos de frustração, tristeza e raiva, usando talvez de uma boa dose de responsabilidade e fé em algo maior, seguiu com o que tinha e como podia e, ao final, as alegrias vividas e os resultados foram ainda mais positivos daqueles inicialmente desejados.


Quando eu tinha 14 anos, fiz paralelamente ao 8º ano do ensino fundamental, um cursinho para a Escola Técnica Federal de São Paulo e desejava na época, com toda minha força, conquistar os primeiros lugares do vestibulinho para escolher o curso: Processamento de Dados, na época mais concorrido. Entretanto minha colocação permitiu os demais cursos, menos aquele que eu desejava. Escolhi o curso de Edificações. Não sei bem quanto tempo demorou para eu acomodar a minha contrariedade, mas lembro claramente que minha performance no estudo e na atuação das disciplinas de Edificações, que me conduziram depois a Engenharia Civil, foram elogiadas por muitos e para mim, motivo de muita felicidade. Minha carreira hoje é multifacetada entre processos e pessoas, humanas e exatas e, desde sempre, ser engenheira civil é um orgulho para mim. Uma história de contrariedade que encontrou felicidade, como na metáfora dos morangos a beira do abismo.


Há oportunidades que a contrariedade, a tristeza, a raiva, a frustração e outras tantas emoções indesejadas pedem um olhar com mais delonga para o contexto interno das nossas formas de pensar e sentir a vida e, nestes momentos importa acomodá-las dentro de si, com o tamanho certo, que combine com a humanização necessária da nossa própria construção como seres humanos cada vez melhores para nós, para o próximo e para o mundo.


Não se trata somente de olhar os acontecimentos inesperados ou malquistos da vida com humildade, humor e pensamentos positivos, é saber fazer mais do que isto, é lembrar sem cessar que a vida não é uma sequência de fardos a serem carregados e que nem tudo está no nosso controle e ainda bem (rs!).


Uma dica infalível é ter sempre por perto uma rede de apoio com pessoas que não se vitimizam e provocam o sentimento de dó com os acontecimentos do jeito que são, do jeito que se apresentam na vida.


Uma outra dica importante é também saber diferenciar, entre as pessoas do convívio próximo (familiares, amigos, colegas de trabalho, …), aquelas que tem mais facilidade para felicidade. Pois, ao menor sinal de que a fragilidade que mora na contrariedade bater à porta, prefira correr e respirar o mesmo ar, pedir apoio de quem sabe ser contente, valoroso e fecundo apesar do cenário.

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